De Marias e Madalenas - Romeu Sabará

De Marias e Madalenas - Romeu Sabará

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Sinopse

Quando se abre a primeira página, já se está dentro do poema, o que dilui a distância entre o livro e seu leitor. Pode-se dizer que o poema não está no livro. O livro é o poema. Vão ser a constante até o fim essas demolições de distâncias e de limites. Não haverá surpresas quando se deparar com a própria saga dentro da saga, em “Oração amarga”, por exemplo, e a identificação entre a oferenda e o ofertante, entre o cordeiro e o sacerdote que o imola.

O poema é uma peça, e é também um rito de sacrifício. Como peça, no momento em que o espectador entra no teatro (abre o livro), ele é parte do espetáculo. A narrativa, o sacrifício e a vida formam um todo, com a mesma inevitabilidade da tragédia.

O “Rito do ofertório” confunde o dentro com o introdutório. “As oferendas” trazem parte das vísceras dos poemas e fazem delas a dedicatória. O “Rito da palavra” une início e fim, gerando um efeito de perenidade, circularidade, fazendo com que a poesia se torne Alfa e Ômega, consagrando a arte como a estância mais alta da oração.

“Para ler poemas” explicita todos os leques de sentido: oração, cântico, teatro, dança à maneira de preparação para o sacrifício.

Se estivesse menos comprometido com o autor (não me refiro ao poeta), o poema teria ascendido ainda mais com sua universalidade, anseio de toda poesia. É que, ao lançar suas raízes no ser do poeta, toca o indivíduo, onde o poema repete nessa escala o que já se realizou no âmbito da História:  a religião da arte, nascendo das ruínas do cristianismo, no dizer de Octavio Paz.

Por essa via, o poeta consegue sacralizar a vida, a partir do que ela tem mais vida. Ele assume a sua história, como herói trágico, e se põe como oferenda ante a humanidade, ainda como trágico, e faz do texto oração que acompanha o ritual.

A ousadia do poeta fá-lo contrapor- -se ao mundo predominante apolínio, da razão, da masculinidade, do estabelecido, do plástico, apresentando o dionisíaco: caótico, feminino, desorganizado, livre. E o faz, tanto calcado na clareza “entusiástica” do poeta trágico, quanto na sutileza das palavras, principalmente na ambiguidade e na ironia.

Em toda trajetória o poema caminha para fusão dos dois pólos: o masculino e o feminino, a partir de “A bela e a fera”, chegando à “A vingança de Eva“, em que “Deus não será mais  Deus, será Deusa.”

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